quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Canção da lua




É rara a minha luz
a minha lei é velar
velar o sono da noite
os sonhos iluminar


Poema de Nuno Higino 
in O menino que namorava paisagens

Ilustração de Mandana Sadat

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Materiais




Um coração faz-se de amoras.

Uma mão faz-se de galhos.

Uma flor faz-se zumbindo.

Uma árvore faz-se de ninhos.

Um cavalo faz-se de vento.

Uma nuvem faz-se de linho.

Um rio faz-se de silêncio.

Uma casa faz-se por dentro.




Poema de João Pedro Mésseder

Ilustração de Eszter Schall

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O castelo de areia



 
Fiz um castelo de areia
Mesmo à beirinha do mar
À espera que uma sereia
Ali quisesse morar.

Ó mar,
Ó mar...
Mas foi só um caranguejo
Que ali me foi visitar.

Ó mar,
Ó mar...
Mas foi só uma gaivota
Que ali me foi visitar.

E levou o meu castelo,
O meu castelo de areia
Para no mar morar nele
A minha linda sereia.


Poema de Luísa Ducla Soares
ilustração de Suzy Lee

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que refresca o verde?

Verde salsa
Verde alface
Verde hortelã
Verde erva fresca
Da manhã

Verde folha
Verde ramo
Verde hera
Verde acordar da
Primavera
     
Verde faia
Verde ulmeiro
Verde giesta
Verde perfume
Da floresta


Poema de Ana Ramalhete
Ilustração de Loreto Salinas

sábado, 11 de outubro de 2014

Nascer


Mãe!

Que verdade linda

O nascer encerra: 

Eu nasci de ti,

Como a flor da Terra!

 

Poema de Matilde Rosa Araújo

in O livro da Tila

Ilustração de Eszter Schall 

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 20 de setembro de 2014

Uma história de dividir



 
Um divisor dividia
muitíssimo devagar.
A divisão bem podia,
dizia ele, esperar.

O dividendo, mais lesto,
não podendo perder tempo,
dia a dia ia perdendo
a paciência e o resto.

E, encarando o amigo,
falava-lhe duramente:
"Não posso contar contigo,
és um inquociente!"


Poema de Manuel António Pina
in Pequeno livro da desmatemática

Ilustração de Eric Carle

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Fundo do mar


 
No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
in Poesia
Ilustração de Nicolleta Ceccoli